Mais sobre o Pinheirinho

Outro dia fiz aqui um guia de leituras sobre o caso Pinheirinho.

Agora já saiu mais coisa sobre o assunto, e escrevo aqui para complementar a lista de links imperdíveis.

O Hugo Albuquerque voltou ao assunto, desmascarando certo discurso conservador:

Dez mentiras que cercam o Pinheirinho

A profª. Raquel Rolnik deu entrevista à Folha de São Paulo, republicada no seu blog. Como relatora da ONU ela já interpelou o governo estadual a respeito do caso, que é mais um motivo para o país passar vergonha na comunidade internacional. Na entrevista estão explicitadas as diversas ilegalidades e absurdos da ação policial. Veja lá:

Pinheirinho não é um caso isolado

O Idelber Avelar também abordou o assunto, apontando implicações políticas de raízes muito profundas. E deu mais uma lista de links, com várias que eu não coloquei no meu primeiro post. Vale a pena seguir as dicas dele:

O massacre do Pinheirinho e o futuro da luta

Finalmente, uma matéria muito interessante no Jornal da Cultura – mostrando que a TV pública de São Paulo não embarcou na onda fascistizante que parece ter tomado conta de todas as instância do governo paulista (especialmente a secretaria de segurança pública) (Rapaz! me enganei: o Heródoto Barbeiro agora está na Record News.). Durante a reportagem, o repórter interrompeu a fala para chorar no canto, deixando o cinegrafista sozinho com a cena. À reportagem no local seguiu-se uma interessantíssima entrevista com Walter Maierovich no estúdio da emissora.

A matéria está aqui.

A dica me veio no sempre interessantíssimo facebook do Zeca Moraes.

Author: andreegg

Músico, historiador, professor.

2 Comments

  1. Como já dizia há tempos, a volta de Alckmin ao poder tinha muito a ver com o fato dele ser o único nome capaz de bater o PT em 2010 e nada mais. É um paradoxo: por mais que ele tenha popularidade no interior, força em setores conservadores importantes – como nos corredores do catolicismo conservador -, ele não tem força alguma dentro de seu próprio partido assim como não tem uma equipe forte e nenhum projeto efetivo.

    No seu retorno, então, ele pôs em prática uma política de austeridade fiscal improdutiva, continuou o arrocho aos servidores e não investiu em nada. Diante da perda de ânimo geral do seu governo, resolveu apostar no discurso demagógico da tolerância zero, que substitui a velha superstição da “segurança nacional” dos militares pela “segurança pública” malufista. Isso deu certo na USP, na Cracolândia e aí Alckmin se empolgou.

    Por que o Pinheirinho? Primeiro, porque era do interesse da Prefeitura de São José dos Campos, há 15 anos sob o comando tucano mas sem candidato para este ano, de “limpar” a cidade e ainda pensar em algum empreendimento para a área, só que também porque era um modo de bater no governo federal e em toda auto-organização dos moradores pobres na cidade – conste que um dos maiores credores, senão o maior, da Selecta era a própria Prefeitura, ela própria poderia ter desapropriado, coisa que é ato unilateral da administração pública mesmo, aberto mão do que a massa falida lhe deve e pagado os outros credores.

    Depois, ainda temos a verdadeira guerra instalada no Judiciário, onde de um lado está o CNJ, os magistrados da Justiça Federal e, do outro, o velho pensamento oligárquico do judiciário capitaneado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Não entenda a decisão de Pargendler sobre o conflito de competência ou o arquivamento de Peluso em outros termos.

    Tudo isso colaborou para a decisão do Palácio dos Bandeirantes – e no limite, ela tem a ver com o fato de que pobre é um elemento descartável na visão dessa gente. Mas o que Alckmin não calculou – daí a enorme ruindade de seu governo – foi o escândalo da desocupação. Nem todo mundo está na USP, a Cracolândia é uma fábrica de superstições, mas casa e família (quase) todo mundo tem. Alckmin e os tucanos não sabem o que fazer diante do resultado da tragédia. É muito fácil bater em minorias para disfarçar crises, mas mesmo no mundo cão, isso tem um limite.

    Hoje, independentemente da omissão do PT, precisamos ser firmes na condenação disso, inclusive apoiar o esforço do professor Comparato em levar o caso para a OEA, senão, estaremos sendo cúmplices da abertura de uma caixa de pandora pelas mãos da mediocridade de Alckmin. O próximo alvo já está até traçado: a favela do Moinho no centro de São Paulo.

    abraços

  2. Pingback: Homens bons da polícia colocam ordem, agora no próprio carnaval « catatau