Último sábado foi divulgada pesquisa Vox Populi em que, pela primeira vez, Dilma (PT) aparece à frente de Serra (PSDB) na intenção de voto dos eleitores. Veja meu comentário da pesquisa aqui.
Aliás, dizer que lidera pela primeira vez é uma verdade parcial. Lidera pela primeira vez acima da margem de erro e na pesquisa estimulada, aquela em que o entrevistado pela pesquisa indica o candidato entre os apresentados em uma lista, diante da pergunta: “em qual destes candidatos o sr(a). votaria se a eleição fosse hoje?”.
Porque na espontânea ela já lidera faz tempo – aquela pesquisa em que o eleitor responde, sem ver nenhuma lista, à pergunta: “em quem o sr(a). pretende votar em 3 de outubro”. Este é o eleitor mais decidido, consolidado. Neste tipo de pesquisa Dilma já tinha ultrapassado Serra em fevereiro, segundo o 100° levantamento CNT/Sensus.
Agora saiu a pesquisa 101 feita pelo Instituto Sensus por encomenda da CNT (Confederação Nacional dos Transportes). O relatório-síntese está disponível aqui.
Nesta pesquisa, a primeira do instituto sem a candidatura de Ciro Gomes, a pesquisa estimulada (numa lista com 11 candidatos), dá 35,7 para Dilma, os mesmos 33,2 para Serra e 7,3 para Marina (PV). Dilma vinha de 27,8 em fevereiro, e Marina vinha de 6,8. Ciro (PSB) tinha 11,9, mas seu partido resolveu não lançá-lo para apoiar Dilma. Parece que a transferência de votos foi total para a candidata do PT, pois Serra ficou exatamente no mesmo patamar e Marina subiu muito pouco.
A pesquisa estimulada dá uma vantagem muito grande para Dilma, e a soma das intenções de voto válidas em Dilma e Lula dá 62%.
Veja aqui as tabelas que fiz com os resultados.
Mas a pesquisa CNT/Sensus não é exatamente uma pesquisa de intenção de voto. É isso e muito mais.
Pergunta ao entrevistado, por exemplo, com uma lista de 3 candidatos (Dilma, Serra e Marina) qual é o único em quem votaria, em qual poderia votar, qual não votaria de jeito nenhum, qual não conhecia. Isso está na página 5 do reatório linkado acima, para quem quiser conferir. A soma “único em quem votaria” com “poderia votar” dá 60% para Dilma, 60,5% para Serra e 43,6% para Marina. Nota-se que o eleitor está bastante indeciso, e o conjunto de eleitores que poderia votar tanto em Dilma quanto em Serra é bem alto. Do ponto de vista do eleitor, não há tanta polarização como anunciam analistas e como querem os staffs de campanha.
Votam só em Serra 25,7, não votam em Dilma 26,1. Votam só em Dilma 26,6, não votam em Serra 29,5. Este aí, menos de 30% é o tal eleitor polarizado.
Em relação a janeiro, a soma entre “único que vota” e “poderia votar” em Serra manteve-se (de 60,8 para 60,5). Em Dilma foi de 56,4 para 60. Em Marina foi de 30,3 para 43,6. A rejeição a Serra manteve-se (de 29,7 para 29,5) a de Dilma caiu de 28,4 para 26,1 e a de Marina foi de 36,6 para 34,4.
A pesquisa também perguntou pela influência da indicação de ex-presidentes. O entrevistado respondeu sobre um candidato indicado por Lula e por FHC, se é o “único que vota”, “poderia votar”, “não votaria” ou decidiria “depois de conhecer” o candidato.
O indicado de Lula tem 27,1 – 33,7 – 20,7 – 15,6.
O indicado de FHC tem 5,7 – 17,8 – 55,4 – 16,4.
Vejam os números que destaquei em negrito: 27% do eleitorado votará em Dilma só porque Lula diz, e 55% do eleitorado não votará em Serra se souber que é indicado por FHC. Ou seja, a equipe de Serra tem que esconder FHC, a equipe de Dilma tem que contar pro pessoal que ela é a candidata do Lula. Os que preferem conhecer o candidato primeiro são meros 15% do eleitorado. É a força do “quem indica” no Brasil.
Agora, o que mais chama a atenção são os dados de aprovação do governo Lula. Veja a planilha que fiz aqui, com os dados que peguei da página 8 do relatório. A aprovação do governo só cresceu durante o período de enfrentamento da crise mundial. A soma de avaliações “ótimo” e “bom” andou pela casa dos 45% em 2007, esteve próximo de 55% no primeiro semestre de 2008 e andou beirando os 70% após setembro de 2008. Atualmente está em 76,1 e subindo. Que tal enfrentar um governo com esta popularidade nas urnas, hein?
O detalhe interessante é que a grande oportunidade para impingir uma derrota política a Lula se apresentou em 2006. A soma de avalições “regular”, mais o “ruim” e “péssimo”, que são, digamos, os propensos a mudar o governo em uma eleição, andou por 67% em novembro de 2005, durante a chamada “crise do mensalão”. Esteve por volta de 60% durante todo o ano eleitoral de 2006, caindo para 55% em agosto.
Ou seja, se alguém queria tirar o doce da mão do Lula, 2006 era o momento. Que o PSDB/DEM tenha escolhido lançar o Alckmin para perder a eleição (sim, se quisessem ganhar, tinham lançado um candidato melhor), diz muito sobre os planos dessa turma. Agora, em 2010 a tarefa que eles têm pela frente é hercúlea.
A pesquisa também investigou a condição de vida dos entrevistados nos últimos 6 meses e sua expectativa para os próximos 6 meses.
O emprego melhorou para 58%. A renda mensal aumentou para 37%, e só diminuiu para 18,6%. A educação melhorou para 48%. Os pontos fracos a serem explorados na campanha devem ser a saúde (piorou para 40%) e a segurança pública (piorou para 48%).
A expectativa de melhora nos próximos 6 meses anda na casa dos 60% (eita confiança no país!), exceto para segurança pública, cuja expectativa de melhora está “só” em 51%.
O eleitor também foi perguntado se acha que os benefícios econômicos e sociais (que é o fator que 44% dos entrevistados mais leva em conta – página 14) foram decorrentes de medidas do governo Lula (57%), do governo FHC (17%) ou de ambos (16%). Dureza a vida dos tucanos…
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