O Brasil vem se propondo, no governo Lula, a ter uma política externa mais pró-ativa, assumindo um papel de liderança para o qual tem vocação por seu tamanho, sua economia e sua cultura.
Tem como vantagem o fato de ser um povo simpático. Brasileiro é bem visto e bem recebido pelo mundo afora, exceto naqueles países esnobes que nos olham de cima para baixo - caso da Europa Ocidental, EUA, Canadá e Japão. Talvez por isso, comungamos com o resto do mundo a posição de país humilhado pelos poderosos, o que só aumenta nossa empatia.
Então estamos lá. Ativos no BRIC, no G-20. Melhorando nossas exportações e os investimentos externos de nossas empresas com atividades na América do Sul, África e Oriente Médio.
Acontece que exercer liderança internacional é uma coisa para a qual se precisa de quadros.
Queremos fazer a ponte de ligação entre o Irã e o Ocidente? Ótimo. Cadê nossos tradutores de parsi? Cadê os departamentos de estudos iranianos nas universidades? Quais empresas brasileiras tem negócios lá? Porque não temos uma comunidade iraniana aqui?
Como demonstra o Alencastro, essa política externa mais autônoma não é novidade no Brasil, já vem de tempos atrás. Também é ele quem demonstra o absurdo de que simplesmente não estamos preparando ninguém para lidar com a China. Cadê os nossos negociadores falantes de mandarim? Cadê os departamentos de estudos chineses nas universidades? Considerando que a China é a potência do século XXI, estamos largando muito atrasados.
Bem, mas pelo menos em relação ao Haiti descubro coisas interessantes.
O Brasil exerce um papel primordial de apoio ao país caribenho, depois de todo o estrago causado pelos EUA e seus interesses na região. (E tem gente que ainda não sabe porque Cuba tem que ser como é - poderia ser um Haiti, talvez.)
E, tem sim, sua equipe de pesquisadores estudando o país. Descubro este blog por uma dica da Viviane Burger no Facebook: Pesquisadores da UNICAMP no Haiti, desde já o melhor ponto de contato com o país para nós brasileiros.
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