Virou aquele tipo bem burro de consenso.
Azeitado com muita ideologia e apoio massiço de certo tipo de imprensa.
“Banco Central independente é melhor. Evita ingerências políticas e garante uma gestão técnica.”
O mito da técnica.
Ideologia. Vender a idéia de que ecnomia é assunto técnico, a ser decidido por quem entende. Jargão e planilhas para afastar os curiosos. Afastar a “ingerência política” é sinônimo de blindar as decisões contra os interesses mais amplos da sociedade. “Gestão técnica” vira sinônimo de controle do mercado financeiro.
“Indenpendência do BC” fica então subentendida como impossibilidade de interferência ou controle por parte dos agentes públicos e da sociedade. Mas pressupõe uma dependência mais ou menos implícita dos agentes do mercado financeiro.
Ninquém desmascara melhor isso do que o Luis Nassif, que chama a gestão da moeda pelo banco de Casa da mãe Joana. Por permitir que a crise afetasse o Brasil dum jeito que não precisava. Por permitir uma moeda sobrevalorizada, que é também a mais instável do mundo (capaz de “flutuar” de uma cotação de R$ 1,55 por dólar em julho de 2008 para R$ 2,35 no auge da crise e voltando a R$ 1,72 agora).
Outros, como José Paulo Kupfer, parecem querer aceitar o fatalismo de um país condenado a um taxa de câmbio que mata sua indústria. Resta-nos seguir o modelo econômico da Austrália? Como se fosse uma país que precisamos alcançar.
Eu prefiro acreditar que o Brasil está muito à frente da Austrália, e mesmo da China. Nosso modelo pode ser os EUA em alguns aspectos, sem precisar repetir os mesmos erros.
Acontece que o diretor de política monetária do BC está demissionário. E quem sabe o próprio Meirelles (da foto acima) que pretende ser candidato a alguma coisa ano que vem. Espero que o governo Lula aproveite a oportunidade (parece que o governo não toma nenhuma iniciativa, só reaje a crises) e promova mais mudanças nesta instituição que vem tendo papel nefasto no Brasil.
Lula elegeu-se com aquele mote de que “a esperança venceu o medo”. Governou mais com medo do que esperança. Acho que ele tem bem claro a espada de Dâmocles que pesa sobre governos de esquerda no mundo capitalista. Afinal, é sempre difícil equlibrar-se entre as mudanças necessárias e a possível reação a elas se forem, digamos, longe demais.
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