(foto do acervo do MIS-PR - ainda não achei outra de qualidade decente)
Quem me contou essa história foi o Lydio Roberto.
Aconteceu pelos idos de 1983 quando Gaya, o “maestro da MPB”, já estava morando em Curitiba - onde terminaria seus dias às voltas com a parentada de sua esposa Stelinha Egg. O maestro trabalhava no estúdio SIR, acho que o principal centro de produção publicitária da região na época.
O Lydio era um jovem músico trabalhando no estúdio, e ganhou a oportunidade de compor um jingle. Já tinham outro na manga para o caso de o dele não ficar bom. Compôs um samba, mostrou para algumas pessoas do estúdio, que gostaram.
“Falta mostrar para o Gaya”.
“O maestro?”
“Sim.”
Segue o Lydio para mostrar a música. Canta o samba e toca ao violão. Terminando a música, Gaya puxa assunto sobre futebol. Lydio atleticano, Gaya fluminense. O Fluminense tinha Washington e Assis, fabulosa dupla de ataque que também já tinha feito sucesso no Atlético, quando o time chegou pela primeira vez a uma semifinal de brasileirão.
Enquanto conversavam, Gaya fumava muito, e rabiscava uns papéis.
Lydio esperando quando o maestro iria para o piano, para experimentar a música. Ou quando iria, talvez, conferir a harmonia, para ver se era isso mesmo.
Que nada. Depois de meia hora de conversa sobre futebol, Gaya diz: “vamos trabalhar?”
Chamaram os músicos (trompete, trombone, sax, contrabaixo - o próprio Gaya fazia o piano). Aqueles papéis rabiscados no meio das conversas futebolísticas eram o arranjo pronto. Até a hora do almoço o jingle já estava gravado - para surpresa do jovem compositor.







on Nov 17th, 2009 at 3:28 pm
Muito interessante.
[Reply]