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O caso Pinheirinho – um pequeno guia de leituras

Eu sou meio faísca atrasada, estava de férias, longe de conexão com internet e tal. De modo que quando penso em escrever alguma coisa sobre o caso da desocupação do bairro do Pinheiro em São José dos Campos, SP, todo mundo já escreveu sobre o assunto, e muito melhor do que eu seria capaz de fazê-lo.

E me impressionou positivamente a capacidade que o assunto teve para mobilizar opiniões de diversos tipos. Fico então, com uma lista das coisas que li sobre o assunto e que recomendo para quem quiser aprofundar a opinião sobre o assunto para um pouquinho além do que aparece na grande mídia.

Primeiro, a matéria do Marques Casara, que descobri por que era um post divulgado na página inicial do WordPress Brasil:

O Tribunal de Justiça e o comandante da PM, o gov. Geraldo Alckmin, não tinham outra saída além de atender Naji Nahas

A sempre consistente avaliação política (entendendo o termo numa concepção bem mais ampla que a costumeira) feita do caso pelo Hugo Albuquerque (é dele que copiei a foto ilustrativa):

Em Defesa do Pinheirinho

Num segundo artigo sobre o tema, Hugo Albuquerque vai muito mais fundo:

(…) no Palácio dos Bandeirantes: é de lá, sob a égide do catolicismo conservador que o pacato Geraldo Alckmin, sem muito rumo ou prumo, articula uma rede que passa por uma assembleia legislativa inerte, um tribunal de justiça punitivista e elitista, um ministério público estadual delirante e polícias que matam no atacado.

trecho tirado deste artigo:

O Aniversário de São Paulo e uma Elegia para o Pinheirinho

Com link colocado lá nos comentários post do Hugo Albuquerque, chego ao Tsavkko, que foi testemunha ocular e postou fotos e vídeos do massacre:

Massacre do Pinheirinhos – Fotos e vídeos de uma tragédia

A professora Raquel Rolnik, comissária da ONU para assuntos de moradia, também escreveu, relacionando a violência policial do Pinheiro com a aplicada em outras situações pelo mesmo governo Alckmin:

Pinheirinho, Cracolândia e USP: em vez de política, polícia!

Na mesma linha, Luis Nassif, no site da Carta Capital, evidenciando a miopia política de Alckmin:

Nem por esperteza, Alckmin demonstrou sensibilidade

No Amálgama, a Camila Pavanelli evidenciou a vileza da ação policial no caso:

Não existe polícia em São Paulo

Pela via da ironia, Paulo Cândido ridiculariza o olhar de certa elite (e seu governo e sua mídia) para o episódio:

Alckmin: “Não podemos permitir que um pobre empresário fique sem ter onde especular”

Felizmente, o caso está gerando manifestações de repúdio pelo que ainda existe de lucidez na sociedade organizada. Uma manifestação aconteceu em São Paulo, e o Ulisses Adirt esteve lá e deu seu testemunho:

Impressões sobre a Manifestação em Solidariedade ao Pinheirinho ocorrida ontem na Avenida Paulista

Um debate aprofundado sobre a postura da mídia e dos cidadãos no caso, está no Catatau:

O grave caso do Pinheirinho e a imprensa

O Cão Uivador também postou um vídeo com um documentário sobre o caso, prometendo um texto, que ainda não saiu:

Documentário sobre o Pinheirinho

Uma argumentação teórica, jurídica e filosófica com a consistência que é de seu feitio, foi dada pelo Pádua Fernandes, que pôs o dedo na ferida ao considerar a situação da justiça e da democracia no Brasil – a respeito do que andamos vendo diversos exemplos de sordidez indesculpável:

Com essa democracia, de fato, nenhum militar, nenhum banqueiro precisará exigir a volta da ditadura. Esta democracia sem justiça de transição (sem justiça, tout court) cumpre eficientemente a missão de tornar desnecessária a nostalgia fetichista das botas e das fardas.

Isso está lá no primeiro texto dele sobre o assunto:

Violência em Pinheirinho: Tiros e bombas como política habitacional

que ainda publicou um segundo:

Violência em Pinheirinho II: Meios de comunicação e os caminhos dos protestos

Vai ficando cada vez mais claro que o Brasil está chegando a um ponto insustentável, a exigir uma nova ruptura. Ou existe esquerda, que lute pelos direitos das pessoas diante da máquina destrutiva do capitalismo – ou vamos aceitar essa coisa FHC – Lula – Dilma do “governo do possível”. Tipo devemos controlar a inflação, devemos aumentar o salário mínimo, devemos desenvolver o Brasil. E resto pouco importa.

Não. O caminho que se anuncia nos levará a um futuro negro. Se as lideranças políticas atuais não são capazes de enxergar isso, está mais do que na hora de construirmos novos caminhos.

Retrospectiva 2011 (3): estatísticas neste blog

Andei publicando mensalmente as estatísticas do blog, ao final você verá os links para saber como foi a coisa mês a mês. Exceto em dezembro, cujas estatísticas não foram publicadas por motivo de afastamento de conexão com a internet no período entre natal e início de janeiro.

No balanço geral do ano, 63 mil visitas, de quase 55 mil visitantes, com quase 82 mil visualizações de página.

Uma queda significativa em relação a 2010, mas vale dizer que o movimento de 2010 esteve muito concentrado às voltas das eleições – assunto que elevou as visitas a quantidades absurdas em dias muito específicos.

Em 2011 a visitação esteve mais diluída ao longo do ano.

Do total de visitantes, 247 já tinham visitado o blog antes, e são os chamados “visitantes de retorno”. Ou, trocando em miúdos – suas excelências os leitores. Os outros são aqueles desavisados que caem aqui por algum erro de cálculo na hora de digitar alguma coisa no buscador. Aliás, das 63 mil visitas, quase 51 mil vieram dos buscadores (basicamente o Google). Mais de 7 mil visitas vieram do chamado tráfego de referência, que inclui links no Facebook e no Twitter, ou o agregador opsblog.org.

Mas, principalmente, os blogs amigos que mandam gente pra cá. Os que mais fizeram isso em 2011, e que merecem os sinceros agradecimentos deste blogueiro, foram:

Amálgama

João Villaverde

A terceira margem do Sena

O descurvo

RS Urgente

Entre os textos mais lidos no blog em 2011 estiveram vários dos comentários e palpites sobre o Brasileirão 2011 – o único assunto que teve periodiciadade respeitável neste blog. Sobre temas mais gerais, os textos mais lidos foram:

Os melhores times do campeonato brasileiro da era dos pontos corridos (2003-2009)

O Plano Nacional de Educação 2011-2020

O que é preciso para melhorar a educação no Brasil?

Pr. Pascoal Piragine: os batistas do Paraná na vanguarda do atraso

Programação 2011 da Camerata Antiqua de Curitiba

Primeira pesquisa IBOPE/CBN para prefeito de Curitiba

Mais um pitaco sobre Dawkins ou o ateísmo que desconhece a teologia

A rodovia Belo Horizonte – Governador Valadares e o debate dos presidenciáveis

A banda mais bonita da cidade, Beirut, Cage

O Concurso de composição de música sinfônica do Teatro Guaíra, OSP e UFPR

Você também pode ver as estatísticas de visitas e os textos mais acessados mês a mês nos seguintes links: janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro.

Veja a série completa:

Retrospectiva 2011 (1): o que andei escrevendo na blogolândia

Retrospectiva 2011 (2): o que andei lendo na blogolândia

Retrospectiva 2011 (3): estatísticas neste blog

A música contemporânea em Curitiba – tema do G Idéias do último sábado

Ótima reportagem do Rafael Costa na Gazeta do Povo sobre a cena da música contemporânea em Curitiba. Ou melhor, um conjunto de textos temáticos que compôs o caderno de sábado, chamado “G Idéias”. Veja neste link.

Eu dei alguns palpites em entrevista por telefone. É lógico que nem tudo que falei pode ser aproveitado – as matérias contam sempre com pouco espaço. Mas foi muito legal de ver como o Rafael costurou as opiniões de vários entrevistados (Harry Crowl, Maurício Dottori, Chico Mello, Márcio Steuernagel) e traçou um bom panorama de várias questões envolvidas.

É importante que se diga que o Rafael Costa vem contribuindo de forma significativa para a vida musical da cidade, com excelentes reportagens. Não sei se tem outro jornal no Brasil com um repórter tão competente para assuntos de música.

Retrospectiva 2011 (2): o que andei lendo na blogolândia

Como no caso da escrita, e pelos mesmos motivos, 2011 foi um ano de leituras poucas e indisciplinadas na blogolândia.

Eu uso o Netvibes como leitor de RSS, e ali estão os blogs que eu mais li. Fora os que leio pelo feed, há mais alguns que leio direto na página, seja porque o feed não funciona (só tem o título e umas palavras iniciais), seja porque a quantidade de conteúdo é grande demais para meu ritmo de leitura, e prefiro acompanhar pela capa do portal os assuntos que me interessam.

Neste último caso está o Amálgama, um portal que vocês todos deviam ler sempre. Coisa finíssima, e provavelmente o melhore espaço de reflexão, análise política e crítica cultural na internet brasileira. Agora com um novo visual muito mais limpo e fluente. O mesmo caso para O Pensador Selvagem, portal no qual acompanho com mais interesse a coluna Demografia. Mantida pelo Prof. Dr. José Eustáquio Diniz Alves, é a única com regularidade no portal, e tenho certeza que é o melhor espaço de informação fudamentada sobre assuntos ligados a população, fecundidade, impacto econômico e ambiental do crescimento populacional, qualidade de vida e quetais.

Entre os que leio pelo Netvibes, os blogs que mais acompanhei em 2011 foram O descurvo, João Villaverde, Todos os fogos o fogo e o Catatau, todos para reflexão política e análise conjuntural em altíssimo nível. Com o mesmo objetivo, mas focado nas questões urbanísiticas, o Blog da Raquel Rolnik. Acrescentando pitadas de literatura, a coluna do Idelber Avelar na Fórum. No OPS, com os mesmos objetivos, acrescentando pitadas de crônicas do cotidiano e às vezes um pouco de ficção, Incautos do ontem e Ágora com dazibao no meio. Também no OPS, continuei órfão, esperando os textos que nunca chegam no Dispersões, delírios e divagações, no Para ler sem olhar e no A terceira margem do Sena – tudo que o Fabiano Camilo, o Diego Viana e o Leonardo Cruz Souza escrevem é do melhor, mas ultimamente eles quase não escrevem.

Crônica do cotidiano com reflexão teológico existencial eu busquei n’A trilha e n’A bacia das almas. Para não ficar tão por fora de questões de economia, li sempre as colunas do José Paulo Kupfer e do Celso Ming – até porque eles tem visões complementares e na maioria das vezes opostas das principais questões. Futebol eu acompanhei pela crônica esportiva do Impedimento e do Carta na manga, ambos com grande visão de jogo e capacidade analítica, mas focados principalmente nos clubes gaúchos e no futebol sul-americano. Com a mesma qualidade, mais uma profundidade de reportagem e o foco nos clubes paranaenses, o Bola no corpo. Para reportagens e fofocas sobre os clubes paranaenses, a Nadja Mauad é a principal fonte.

Sobre cinema, o Central de Cinema, do Paulo Camargo, além, claro, da seção de cinema do Amálgama. Sobre música, acompanho, ainda precariamente o Movimento.com, o Clube de Jazz e o João Luiz Sampaio.

De 2012 espero que seja um ano de mudança nos hábitos de leitura na internet. Preciso achar blogs novos sobre religião, acompanhar com mais cuidado os de música (ainda preciso achar outros mais sobre o tema), achar alguns de literatura. O núcleo duro da blogolândia brasílica, que se articulou nos anos dourados em torno do Hermenauta, Pedro Doria, Biscoito Fino e a Massa e NPTO são coisa de um passado que não volta. Seguir adiante encontrando novas fontes de informação confiável, gratuita e de alto nível segue sendo um desafio.

Este ano deverei comprar um Kindle, e assinar um jornal brasileiro para ler neste dispositivo. Gostaria que fosse a Gazeta do Povo, mas por enquanto eles só estão pensando nos usuários de tablet.

Veja a série completa:

Retrospectiva 2011 (1): o que andei escrevendo na blogolândia

Retrospectiva 2011 (2): o que andei lendo na blogolândia

Retrospectiva 2011 (3): estatísticas neste blog

Retrospectiva 2011 (1): o que andei escrevendo na blogolândia

Em 2011 escrevi em blogs mais do que deveria, e muito menos do que gostaria.

Além deste espaço aqui, colaborei ou mantive sozinho alguns outros, dividindo o já pouco tempo que posso dedicar ao blog. Começo pelos outros lugares para terminar com o que aconteceu neste blog.

Em primeiro lugar, me orgulho muito de 2011 ter sido um ano em que escrevi para o Amálgama. Foi meu primeiro ano inteiro como  colaborador lá, pois eu comecei escrevendo sobre eleições em meados de 2010. Em 2011 continuei escrevendo um pouco lá sobre política e religião, mas principalmente fiz resenhas de livros e alguns textos críticos. Certamente o texto mais importane que escrevi para o Amálgama em 2011 foi Por que os cristãos devem defender os direitos dos homossexuais. Uma lista de tudo que eu publiquei pode ser vista aqui.

Não posso me orgulhar tanto de ter escrito editoriais para o OPS, porque escrevi pouco e de maneira irregular. Ainda vou achar a medida certa de como colaborar na página principal do portal que hospeda um grande time de colunistas e blogueiros. Neste caso, 2012 precisará ser bem melhor que 2011.

Uma coisa que eu nem imaginava acontecer em 2011 era abrir um blog no portal da Gazeta do Povo. Mas surgiu o convite e eu não podia perder a oportunidade. Escrevi pouco lá, bem menos do que gostaria. Vai ser sempre um blog mais sério (no sentido profissional), como pede o espaço. Ou seja, ao contrário deste blog aqui, lá eu só posso escrever coisas fundamentadas sobre assuntos que entendo alguma coisa. Você está convidado a conhecer o blog História Cultural, além de outros ótimos blogs no portal deste jornal que consegue a façanha de crescer fortemente em qualidade enquanto os grandes jornais brasileiros vivem uma horrível e agônica decadência.

Além desses espaços aí acima, que são os mais importantes que mantive em 2011, tenho uma série de pequenos blogs pouco ativos no wordpress. Um de uma matéria que lecionei tempos atrás – História do Cristianismo. Três de matérias que leciono atualmente: Música do Século XX, História da Música Brasileira e História da Música. Além desses, tenho na espectativa um blog sobre o Coritiba. Era para ele ter começado no ano do centenário. Decepcionante que foi, o blog ficou na berlinda. Mas com a campanha do time em 2011 o blog está merecendo entrar na ativa. Vamos ver. Fica como resolução de ano-novo.

Diluído por tantos espaços, continuo considerando a escrita em blogs uma atividade importantíssima, e que está mudando o mundo a olhos vistos – geralmente para melhor. Mas acaba sobrando pouco tempo para manter este blog como deveria. De qualquer forma, 2011 foi um ano bom, ao menos para mim, o blogueiro.

Foram 215 posts, dos quais o principal assunto foi o Brasileirão 2011. Ninguém tenha dúvida – escrever tanto sobre futebol foi decorrência direta de uma assinatura dos canais PFC, que por sua vez foi decorrência direta do fato de que o ingresso para o Couto Pereira estava mais caro que a assinatura de sócio e que não havia mais nenhuma maldita vaga em nenhum setor do estádio. Um ano em que o Coritiba montou seu melhor time desde a década de 1970 – obviamente só por isso o Brasileirão valeu a pena.

Escrever tanto sobre futebol também foi sintoma do fato de ter tentado escrever em tantos lugares, e, principalmente do fato de ter sido coordenador de curso na faculdade em que trabalho. Reeleito para um cargo que assumi em mandato tampão, pode-se esperar de 2012 mais um ano em que o blogueiro estará metido em reuniões, discutindo regimentos e documentos burocráticos, resolvendo problemas de alunos e digitanto atas e editais. Nesse ínterim a pesquisa acadêmica e a preparação de aulas – atividades que deveriam ser as principais de um professor de ensino superior, seguirão prejudicadas, e os blogs seguirão mais como um espaço para desanuviar a mente do que exatamente a ferramenta poderosa de publicação que eles podem e devem ser.

Em 2011 me equilibrei mal nesta corda bamba. Só o que espero em 2012 é não começar nada novo, para dar tempo de me especializar em fazer o tanto de coisas que já assumi nesta vida em 2011 – coisa mais do que suficiente para um reles mortal.

Os outros assuntos que renderam no blog – livros, música, política, religião, voltarão com comentários mais específicos nos outros posts da série, cujos links serão colocados a seguir, assim que publicados.

Retrospectiva 2011 (1): o que andei escrevendo na blogolândia

Retrospectiva 2011 (2): o que andei lendo na blogolândia

Retrospectiva 2011 (3): estatísticas neste blog

A privataria tucana de Amaury Ribeiro

Baixei o livro recém-lançado e já esgotado.

Confesso que não tenho saco de ler a parte sobre as privatizações, e o envolvimento de pessoas próximas a Serra. Se entendi alguma coisa da história, esse tipo de investigação jornalística atendia aos interesses de Aécio Neves em sua briguinha particular com Serra para ver quem fica com o que sobrar do PSDB.

Sobre as privatizações havidas no governo Fernando Henrique, não tenho nada contra. Não tenho saudade de ter o Estado controlando diretamente tantos setores chave da economia do país. E acho que os governos petistas fazem tanta merda quanto o PSDB na hora de se meterem em assuntos empresariais.

Neste sentido, o governo Lula não mudou nada o jogo em que o setor rentista lucra horrores, a economia segue cada vez mais oligopolizada, o agronegócio triunfa sobre todos os interesses da nação, continuamos exportadores de comodities, continuamos sofrendo de baixo nível educacional e nem com pleno emprego conseguimos avançar muita coisa nos direitos dos trabalhadores.

Quero dizer, fica difícil a comparação para saber quem foi mais babaca – os tucanos ou os petistas. O livro deve interessar quem é responsável pelas investigações judiciais e as punições aos envolvidos em desvio de dinheiro público. Neste caso, suspeito que o jornalista não acrescente muito ao que já foi investigado por polícia e MP.

Por causa disso tudo, fui ler direto a parte final do livro, em que Amaury fala de conflitos internos na campanha de Dilma.

E aí fico sabendo melhor das tramóias de Palocci e Falcão para sacanear o Pimentel, inclusive vazando coisas do comitê de campanha de Dilma para Veja e Folha. Ora, ora – isso esclarece um pouco mais o conflito que segue em aberto.

Porque Palocci também já foi fritado, além de vários outros ministros de partidos aliados. Denúncias contra Pimentel voltam a aparecer na imprensa, o que é interessante, afinal ele é um nome muito forte nos novos rumos que o PT vem tomando após a eleição de Dilma.

Assisto esta briguinha de camarote, porque vejo que está em curso uma saudável diminuição do peso do PT paulista. Isso está sendo muito bom para o Brasil e para o próprio PT. Mas, obviamente, os caras não vão sair de cena sem espernear um bocado.

Interessante acompanhar o futuro político de gente em quem Lula e Dilma andaram apostando alto para o futuro do PT: Pimentel, Haddad, Gleisi. Respectivamente, são esperança de fortalecimento e renovação do partido em Minas, São Paulo e Paraná, estados importantíssimos nas disputas eleitorais que se avizinham para 2012 e 2014.

Vamos ver qual será o futuro dos velhos caciques paulistas.

Os sonhos não envelhecem

Eu na livraria procurando um presente de natal para a mineira mais charmosa que já pisou neste planeta.

De repente um livro pula na minha frente: Os sonhos não envelhecem: histórias do Clube da Esquina, de Márcio Borges, na 7ª edição, que a primeira foi de 1993.

Um livro que eu já devia ter lido há muito tempo, professor de história da música brasileira que sou. Mais que isso – um cara que comprei muitos discos de Milton em sebos de Curitiba na minha adolescência no início dos anos 1990. Discos que foram meus companheiros de alegria e de fossa – as músicas que mais me fizeram rir e chorar nesta vida. Se eu tivesse que escolher de sopetão o compositor que mais significa para mim, ou que compôs mais músicas significativas pra mim – não haveria como titubear: Milton.

Por milhares de motivos.

Entre outros, porque eu sou um curitibano da gema, de 4ª geração, mas com fortes ligações nas Minas Gerais. Um lugar que visito sempre, e que sempre me traz muitas lembranças e emoções.

E nada é mais Minas Gerais que Milton Nascimento e Márcio Borges.

Mas o fato é que eu não tinha lido o livro ainda. E até fiquei com medo de comprar pra Maris e ela achar que era um presente mais pra mim que qualquer coisa. Comprei outro presente, e levei o livro pra eu ler mesmo.

Ler não, sorver.

Memórias altamente bem escritas pelo primeiro parceiro e principal estimulador da carreira de compositor de Milton Nascimento.

Memórias honestas, profundas – muito mais que uma história de amizade e parceria musical. Uma história da juventude brasileira tolhida pelo Regime Militar, mas que não deixou de sonhar, alimentada pelas bebedeiras, pelo cinema autoral, pelo jazz, pela Bossa Nova – tudo numa Belo Horizonte mística, de edifícios próximos da Praça Sete, capazes de congregar nos anos 1960 o maior número de jovens geniais que jamais conviveram num espaço tão próximo.

Essa parte memórias de adolescente bicho-grilo cinéfilo músico popular esquerdoso me levou direto às minhas lembranças de juventude. As semelhanças com Encontro marcado, de Fernando Sabino, ou Trapo, de Cristóvão Tezza – os romances mais familiares pra mim, com certeza. Li tudo como se estivesse tomando uma cerveja com o Allan Oliveira, outro ponto forte de ligação com Minas Gerais, e certamente o amigo com quem tive mais cumplicidade juvenil e em assuntos de cinema música e literatura.

Para além disso, a parte técnica do livro, para um historiador, músico e professor de história da música brasileira:

Como todas as memórias, uma visão bem pessoal, imprecisa. Só que melhor do que a maioria das memórias exatamente por que se assumiu desde o início como claramente contida dentro destas limitações: Márcio Borges nunca pretende escrever livro de história, mas escreve as memórias como se estivesse fazendo literatura de ficção. E nós sabemos que nada é mais próximo da realidade que a literatura de ficção, e por isso mesmo estas memórias são tão boas.

Para mim saltaram aos olhos as informações quentes sobre as influências musicais sentidas por uma turma incrível de músicos belorizontinos (ou residentes em Beagá, entre eles Wagner Tiso, Toninho Horta, Nivaldo Ornellas, Pascoal Meirelles, além, claro do próprio Milton) – todos com muita estrada como músicos de jazz e de bandas de baile, uma história anônima de música popular que ninguém se preocupa em contar. Aliás, tenho que dizer que tem um pessoal muito bom investigando essa música popular não registrada em fonograma na Curitiba de antanho, como a Marilia Giller e o Tiago Portella – e fiquei pensando como seria bom se os pesquisadores mineiros se sentissem fascinados por este tema.

Melhor ainda do que essa trilha da formação musical nos standarts jazzísticos e na Bossa Nova e na música interiorana e na música latina, são as informações sobre as referências cinematográficas, sobre a audição dos Beatles, sobre a maneira como um Márcio Borges percebeu os Fetivais da Canção da Record e da Globo ou o Tropicalismo.

Maior ainda é o interesse por um aspecto central do livro: as minuciosas descrições do processo criativo que envolveu Milton, Márcio e Lô Borges, Fernando Brant, Nelson Ângelo, Tavinho Moura, Beto Gueedes, Ronaldo Bastos, Tonhinho Horta, e outros que agora não me lembro.

Como surgia a melodia, quem colocava qual parte da letra. Letra primeiro, música primeiro, as duas ao mesmo tempo. Tim-tim por tim-tim, um processo criativo que é um dos grandes mistérios para uma musicologia da música popular, que tem que lidar com essa coisa da composição como um processo coletivo e não exatamente autoral na acepção erudita do termo. Canções que levaram décadas para ficar prontas, outras que surgiram em meia hora. Umas que brotaram do recôndido do coração, outras de concursos mequetrefes. Outras improvisadas na hora no estúdio de gravação.

O livro é do Márcio Borges, é a visão dele de tudo. Mas principalmente é o livro de um dos amigos e parceiros mais próximos e antigos de Milton Nascimento, com a capacidade incrível de explicar por que o cantor de Três Pontas é simplesmente um dos maiores gênios da música universal.

Intenção de voto para prefeitura de Curitiba em 2012 – Paraná Pesquisas/Gazeta do Povo

O levantamento da Paraná Pesquisas divulgado ontem pela Gazeta do Povo aponta o momento atual com de empate técnico entre Fruet (PDT), Ducci (PSB) e Ratinho Jr (PSC).

Os cenários ainda não estão definidos, porque os candidatos ainda não estão lançados.

Entretanto, algumas tendências são importantes de se observar:

Fruet tem mais intenção de voto entre os homens (30%) do que entre as mulheres (23%). Ao contrário de Ducci, que tem 19% entre os homens e 24% entre as mulheres.

Ratinho Jr está bem à frente entre o eleitorado que só tem Ensino Fundamental (35%). Mas entre os de Ensino Superior, tem apenas 4,4% contra 43% de Fruet.

Entretanto, os cenários testados na pesquisa são todos improváveis. Porque já está praticamente certo que o PT apoiará Fruet desde o primeiro turno, não lançando candidato. Tal decisão parte dos interesses de Paulo Bernardo e Gleisi Hoffmann – poderosos ministros de Dilma, que já articulam pensando a candidatura de Gleisi ao governo estadual em 2014, com apoio de Fruet.

Também é pouco provável que Ratinho Jr mantenha a candidatura – ele está apenas se cacifando para ser um aliado muito disputado, e escolher o lado que lhe seja mais vantajoso. Sua rejeição é alta entre o eleitorado, e sua capacidade de articular uma campanha majoritária (tanto financeira como em termos de apoio político) seria bastante limitada.

O atual prefeito, Luciano Ducci, conta com o apoio valioso do governador Beto Richa. Entretanto precisará de muito media training para ser alguém capaz de sobreviver a debates televisivos.

Ou seja, enquanto as candidaturas não estão definidas, e as campanhas não estão na rua, as pesquisas são meramente especulativas, e servem para balizar as decisões dos partidos e esquentar as turbinas dos comentaristas políticos.

O jornal não divulgou este tipo de sondagem, mas o que a gente deve sempre ficar de olho é a pesquisa espontânea, aquela em que o entrevistado diz seu candidato para 2012 sem olhar nenhuma lista. Essa que eles divulgaram é a estimulada, na qual o entrevistado diz em quem votaria dos candidatos aprensetados naquela lista, se a eleição fosse hoje…

Santos humilhado pelo Barcelona

Que eu saiba nunca houve uma final de Campeonato Mundial de Clubes com tanta disparidade entre um time e outro.

O Barcelona venceu por 4×0, e ainda teve 2 bolas na trave e muitos gols perdidos. O Santos não pegou na bola, e não chutou a gol, senão poucas vezes (a posse de bola andou nos 80% para o Barcelona).

Isso mostra a força deste time incrível do Barcelona, base da Seleção Espanhola campeã na África do Sul em 2010. Mas mostra também o abismo que existe hoje entre o futebol brasileiro e os clubes europeus de ponta.

Ou talvez, mostra simplesmente que o Santos não é o time que gostamos de comemorar por aqui. Que tenha ficado apenas em 10º lugar, com 46% de aproveitamento num Brasileirão de baixo nível técnico como foi o deste ano diz muito sobre as possibilidades do time. Ou talvez a comissão técnica do Santos imaginasse que um time que não foi capaz de superar convincentemente nenhum rival no Brasil iria jogar um futebol bonito contra o Barcelona.

Aliás, por falar em comissão técnica, chego a duvidar que o Santos tenha algo parecido. Muricy Ramalho tentou a mesma receita que lhe deu o título da Libertadores em 2011: colocar o time retrancado, tentando não tomar gol, e confiar na genialidade e na velocidade de Ganso e Neymar, bem como na presença de área e capacidade de finalização de Borges.

O problema é que a zaga do Santos não é nada confiável. Se tomou 56 gols em 38 jogos no Brasileirão, onde Ronaldinho era “o craque”, que esperar de um jogo contra o Barcelona de Xavi, Iniesta e Messi.

Mesmo já perdendo de 2×0, e vendo seu time completamente sem ação dentro de campo, Muricy Ramalho não mudou o posicionamento, e não fez nenhuma alteração tática. Somente após os 30 minutos do 2º tempo, quando não havia mais tempo para reação, sacou Borges (!) para colocar Alan Kardec (!). No primeiro tempo já havia tirado Danilo, por contusão, para a entrada de Elano.

Alguém precisa investigar a quantidade de saquê ingerida pelo Muricy no jantar de sábado…

E não adianta dizer que o Barcelona é um time muito superior, que era favorito, que é “de outro planeta”.

Não é não. É só um time onde todos jogam bem, que tem entrosamento por jogar junto há muito tempo com basicamente os mesmos jogadores, que todos sabem o posicionamento dos companheiros e dão passes precisos. Um time que não dá chutão, mas toca a bola até achar os espaços, coisa que não foi nada difícil contra o Santos. E um time aplicado, que marca permanentemente sobre pressão quando não está com a bola.

Difícil fazer isso?

Sim, bem difícil, especialmente nas condições do futebol brasileiro atual.

Entretanto, a soberba goleada do Barcelona há de servir para acordar o meio futebolístico brasileiro. Se lembrarmos que este time do Santos joga ainda melhor que nossa Seleção, e se pensarmos que teremos uma Copa do Mundo em nosso território daqui a 2 anos e meio, talvez nos demos conta do tamanho da tragédia que se anuncia.

Por que o drama técnico do futebol brasileiro é uma coisa que vai precisar de mais de 10 anos para resolver. E começa pela administração do futebol, onde realmente o Barcelona dá um “show de bola” em nossos clubes. Que se veja o exemplo de Messi, formado nas categorias de base do clube catalão, e hoje o principal jogador do mundo. Mas um craque que simplesmente não funciona quando tirado do jogo coletivo que o Barcelona é capaz de armar.

Para mim uma grande decepção, pois acordei cedo no domingo, esperando ver algo parecido com “o jogo do século”. Não foi nada disso: jogo de um time só. Simplesmente um passeio azul y grana. O Barcelona demonstrou que é, realmente, mais que um clube.

Petraglia também metido em trambiques com clubes uruguaios

A reportagem do Caderno de Esportes da Gazeta do Povo desta terça-feira esmiuçou os negócios em que Petraglia deu prejuízo ao Atlético PR, vendendo jogadores bem abaixo do valor de mercado. Essa trambicagem é uma conhecida maneira de os dirigentes lesarem os clubes, e desviarem patrimônio. É por isso que os clubes vão se complicando financeiramente, enquanto os dirigentes só aumentam o patrimônio.

Não é mera coincidência que os dois grandes clubes brasileiros que estiveram às voltas com o rebaixamento em 2011 sejam os que tiveram casos notórios de dirigentes usando clubes uruguaios de segunda e terceira divisão. Zezé Perrela do Cruzeiro está sendo investigado pelo Ministério Público pelos mesmos motivos, com o agravante de ter garantido uma vaga de suplente na chapa de Itamar que lhe vale hoje uma confortável imunidade judicial.

No caso de Petraglia, a coisa está no momento crucial para ser decidida, visto que ele é o principal nome a apoiar a chapa CAP Gigante, que disputa as eleições do clube – podendo voltar a ser o homem forte do Furacão.

É inegável que Petraglia foi o responsável pela guinada que colocou o Atlético entre os clubes mais bem administrados e bem estruturados do país, valendo os títulos de campeão brasileiro em 2001, vice-campeão em 2004 e vice-campeão da Libertadores em 2005. O que está sendo demonstrado agora é que o clube não foi o único (e talvez nem o principal) beneficiado com a tal guinada administrativa promovida por Petraglia.

Assume maior relevo a proposta de campanha da chapa Paixão pelo Furacão – que tem como principal ponto o estabelecimento de um sistema de decisões colegiados. Eles dizem que isso serve para evitar erros, mas na verdade é também uma maneira mais eficaz de evitar trambiques que causem prejuízo ao clube.

Aliás, veja a excelente matéria de Nadja Mauad, colocando em pauta as principais propostas de ambas as chapas, em ótimas entrevistas que fizeram as mesmas perguntas a Petraglia e Diogo Braz.