Eu sou meio faísca atrasada, estava de férias, longe de conexão com internet e tal. De modo que quando penso em escrever alguma coisa sobre o caso da desocupação do bairro do Pinheiro em São José dos Campos, SP, todo mundo já escreveu sobre o assunto, e muito melhor do que eu seria capaz de fazê-lo.
E me impressionou positivamente a capacidade que o assunto teve para mobilizar opiniões de diversos tipos. Fico então, com uma lista das coisas que li sobre o assunto e que recomendo para quem quiser aprofundar a opinião sobre o assunto para um pouquinho além do que aparece na grande mídia.
Primeiro, a matéria do Marques Casara, que descobri por que era um post divulgado na página inicial do WordPress Brasil:
A sempre consistente avaliação política (entendendo o termo numa concepção bem mais ampla que a costumeira) feita do caso pelo Hugo Albuquerque (é dele que copiei a foto ilustrativa):
Num segundo artigo sobre o tema, Hugo Albuquerque vai muito mais fundo:
(…) no Palácio dos Bandeirantes: é de lá, sob a égide do catolicismo conservador que o pacato Geraldo Alckmin, sem muito rumo ou prumo, articula uma rede que passa por uma assembleia legislativa inerte, um tribunal de justiça punitivista e elitista, um ministério público estadual delirante e polícias que matam no atacado.
trecho tirado deste artigo:
O Aniversário de São Paulo e uma Elegia para o Pinheirinho
Com link colocado lá nos comentários post do Hugo Albuquerque, chego ao Tsavkko, que foi testemunha ocular e postou fotos e vídeos do massacre:
Massacre do Pinheirinhos – Fotos e vídeos de uma tragédia
A professora Raquel Rolnik, comissária da ONU para assuntos de moradia, também escreveu, relacionando a violência policial do Pinheiro com a aplicada em outras situações pelo mesmo governo Alckmin:
Pinheirinho, Cracolândia e USP: em vez de política, polícia!
Na mesma linha, Luis Nassif, no site da Carta Capital, evidenciando a miopia política de Alckmin:
Nem por esperteza, Alckmin demonstrou sensibilidade
No Amálgama, a Camila Pavanelli evidenciou a vileza da ação policial no caso:
Não existe polícia em São Paulo
Pela via da ironia, Paulo Cândido ridiculariza o olhar de certa elite (e seu governo e sua mídia) para o episódio:
Alckmin: “Não podemos permitir que um pobre empresário fique sem ter onde especular”
Felizmente, o caso está gerando manifestações de repúdio pelo que ainda existe de lucidez na sociedade organizada. Uma manifestação aconteceu em São Paulo, e o Ulisses Adirt esteve lá e deu seu testemunho:
Impressões sobre a Manifestação em Solidariedade ao Pinheirinho ocorrida ontem na Avenida Paulista
Um debate aprofundado sobre a postura da mídia e dos cidadãos no caso, está no Catatau:
O grave caso do Pinheirinho e a imprensa
O Cão Uivador também postou um vídeo com um documentário sobre o caso, prometendo um texto, que ainda não saiu:
Documentário sobre o Pinheirinho
Uma argumentação teórica, jurídica e filosófica com a consistência que é de seu feitio, foi dada pelo Pádua Fernandes, que pôs o dedo na ferida ao considerar a situação da justiça e da democracia no Brasil – a respeito do que andamos vendo diversos exemplos de sordidez indesculpável:
Com essa democracia, de fato, nenhum militar, nenhum banqueiro precisará exigir a volta da ditadura. Esta democracia sem justiça de transição (sem justiça, tout court) cumpre eficientemente a missão de tornar desnecessária a nostalgia fetichista das botas e das fardas.
Isso está lá no primeiro texto dele sobre o assunto:
Violência em Pinheirinho: Tiros e bombas como política habitacional
que ainda publicou um segundo:
Violência em Pinheirinho II: Meios de comunicação e os caminhos dos protestos
Vai ficando cada vez mais claro que o Brasil está chegando a um ponto insustentável, a exigir uma nova ruptura. Ou existe esquerda, que lute pelos direitos das pessoas diante da máquina destrutiva do capitalismo – ou vamos aceitar essa coisa FHC – Lula – Dilma do “governo do possível”. Tipo devemos controlar a inflação, devemos aumentar o salário mínimo, devemos desenvolver o Brasil. E resto pouco importa.
Não. O caminho que se anuncia nos levará a um futuro negro. Se as lideranças políticas atuais não são capazes de enxergar isso, está mais do que na hora de construirmos novos caminhos.




