Um drible nas certezas Rotating Header Image

Democrata de Governador Valadares à frente

Resolvi salvar esta imagem para registrar o momento.

Afinal, sabe-se lá quanto tempo o Democrata consegue sustentar essa posição.

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Coritiba igualou recorde

Ontem escrevi que o Coritiba estava para igualar um recorde.

Igualou.

Venceu por 3 a 1 o Iraty, jogando em Paranaguá enquanto o Couto Pereira está interditado.

Só que ontem não soube informar que o recorde igualado (7 vitórias consecutivas no estadual) não foi estabelecido em 2003. Em 2003 ele foi repetido, estabelecido pela primeira vez em 1976, ano do legendário hexa-campeonato.

O time que Ney Franco fez entrar em campo foi: Edson Bastos. Jeci, Pereira e Lucas. Fabinho, Leandro Donizete, Marcos Paulo, Enrico e Renatinho. Rafinha e Marcos Aurélio.

Destes 11, apenas 6 jogavam ano passado. Lucas (zagueiro) e Fabinho (lateral direito) vieram da base do Coritiba. Marcos Paulo (volante) veio do Avaí, onde foi formado. Enrico (meia), já passou por vários clubes e estava no Vasco. Rafinha (meia-atacante) é considerado o principal reforço - foi campeão brasileiro pelo São Paulo em 2007, e estava no Paraná Clube.

Em relação a 2009, um ano bem ruim, o time perdeu jogadores de peso. Fez subir bons garotos da base, e contratou poucos reforços. Precisa urgentemente melhores zagueiros e atacantes.

De modo que estabelecer um recorde desses nessas condições indica mais sobre a decadência dos times paranaenses do que sobre possíveis qualidades do Coritiba.

Não existe mais nem a sombra dos gloriosos clubes do interior, como o Grêmio Maringá, capaz de surprender o hexa-campeão em 1977, quebrando a seqüência que voltaria a se estabelecer em 78-79. Ou como o Londrina, que chegou a semi-finalista do brasileirão. Ou como o Operário de Ponta Grossa, ou o Rio Branco de Paranaguá.

As coisas não andam nada bem para os paranaenses.

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O Coritiba joga para igualar um recorde

Hoje à noite o Coritiba joga para igualar um recorde: pode chegar a 7 vitórias seguidas no estadual. A última vez que conseguiu isso foi com a equipe de 2003, cuja foto ilustra o post.

Antes que algum atleticano desvisado venha dizer que isso não é grande coisa: o recorde do Atlético-PR é de 11 vitórias, obtidas no estadual de 1949, quando recebeu o apelido de “Furacão”. O Furacão voltou em 2008, quando ganhou 12 jogos seguidos (as primeiras onze rodadas mais a 14ª cuja partida foi antecipada). Do total de 15 jogos da primeira fase o Atlético ganhou 14 e empatou 1. Incluindo uma vitória por 8×1 contra o Iguaçu, na casa do adversário.

Bem.

Acontece que o Coritiba em 2003 foi campeão estadual invicto (derrotando na final o também invicto Paranavaí).

E o Atlético em 2008? O campeão estadual do ano do recorde de vitórias foi o Coritiba, não o Atlético.

Voltando ao time de 2003: foi a última vez que o Coritiba fez um time para não dar vexame. Ou talvez penúltima. Em 2008 o time que derrotou o “Furacão” no estadual também fez um brasileiro razoável, tendo Keirrison como um dos artilheiros, brigando pela vaga na Libertadores mas terminando o ano em 10°.

Em 2003 o time era basicamente Tcheco no meio-campo com Marcel no ataque (ele também foi artilheiro). A fórmula foi repetida pelo Grêmio vice-campeão brasileiro de 2008. No gol estava o memorável Fernando, que foi em 2002, 2003 e 2004 o goleiro menos vazado no estadual. Foi na página dele que achei a foto lá de cima. O Coritiba, naquele que foi o primeiro brasileirão de pontos corridos, passou o ano disputando a 2ª posição com o Santos, mas caiu de produção quando Tcheco foi pras arábias. Acabou em 5°, com uma vaga na Libertadores (por que o campeão Cruzeiro tinha a vaga pela Copa do Brasil).

A contratação de Antônio Lopes em 2004 foi o começo do fim do Coritiba.

Escrevo tudo isso para dizer que 2010 começa como deveria. Se continuar nessa toada, o Coritiba volta ao seu merecido lugar na primeira divisão do Campeonato Brasileiro.

P.S. Um amigo meu que acompanha sempre os jogos disse que o elenco está muito ruim. Até aí nenhuma novidade. Os únicos que não tem elenco ruim no Brasil são o São Paulo, o Internacional e o Cruzeiro. Os outros às vezes montam algo parecido com um elenco. De modo que mesmo sem um grande elenco ainda dá pra fazer muita coisa.

P.P.S. Talvez interesse a alguém a cobertura que fiz do Brasileirão 2008 em um antigo blog.

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Mais lidos em janeiro

Janeiro é um mês meio parado em blogs, quase todo mundo fica um pouco mais longe da internet nas férias.

Segundo o analytics, os textos mais lidos aqui no blog em janeiro foram:

5° - Livro de papel versus leitores digitais

4° - Comissão da verdade - removendo os escombros do regime militar

3° - Magnus Carlsen - surge um novo campeão

2° - Da demonstratibilidade do teorema de Pitágoras: sobre ciência e religião

1° - Onde fica Porto Seguro?

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Vik Muniz no MON

Um artista que elabora suas obras com materiais não-tradicionais.

Como esta escultura num prato de macarrão. Mas tem outras feitas com arame, açúcar, cobertura de chocolate, uma Vênus de Milo com sucata, um mapa-múndi com restos de computadores.

Muita coisa.

E tudo pode ser visto na exposição que fica no MON até 7 de março.

Eu já vi e vou ver de novo. Se fosse você não perderia.

Nos faz pensar sobre as fronteiras da arte, a relação entre arte e cotidiano, sublime e banal, a criatividade e o corriqueiro.

P.S. O Ulisses Adirt também escreveu sobre a mesma exposição em São Paulo, e acho que ele tocou numa questão muito importante: veja lá.

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Dilma na frente

Saiu a 100ª pesquisa CNT/Sensus, que avalia um monte de coisas, inclusive intenção de voto para presidente.

As pesquisas que saem agora são sondagens muito imprecisas, servem mais para guiar estratégias políticas dos candidatos que para qualquer outra coisa. A campanha só começa em julho, e é só lá que saberemos realmente quem serão os candidatos, com quais chapas. Quando isso acontecer, tudo muda.

O gráfico que ilustra este texto foi feito por mim, com os dados das pesquisas 98, 99 e 100. Trata-se das pesquisas de intenção de voto espontânea - aquela em que o entrevistador pergunta ao eleitor em quem pretende votar nas eleições de 3 de outubro. O eleitor responde com o nome que lhe vem à cabeça.

O outro tipo de pesquisa é a estimulada, onde o eleitor escolhe o candidato em uma lista.

Fiz o gráfico usando somente as declarações válidas de intenção de voto. Ou seja, considerei apenas os eleitores que apontaram algum candidato. É o que chamamos de “votos válidos”, e é com base neles que o TSE define os eleitos.

Se você quiser conferir, estão aqui os dados da pesquisa CNT/Sensus: 08/09 (98ª), 23/11 (99ª) e 1°/02 (100ª). A planilha que montei para fazer o gráfico está aqui.

Pode-se perceber que o eleitor já vai descartando as candidaturas de Aécio, Heloísa Helena e Alckmin, que não deverão ser candidatos. Crescem muito as candidaturas de Marina e Dilma.

Detalhe mais importante: boa parte dos eleitores não leva em conta que Lula não será candidato. A grande questão é saber para quem irão seus votos.

A pesquisa estimulada (que o eleitor escolhe o candidato em uma lista), deu Serra 33,2 - Dilma 27,8 - Ciro 11,9 - Marina 6,8. Apontando para eleição em 2 turnos.

Com esse texto, inauguramos neste blog a seção Eleições 2010. Pretendemos acompanhar os desempenhos dos candidatos nas principais pesquisas, bem como suas propostas. Faremos análises, mas não campanha. O blog tem linha política de centro-esquerda, ou social-democrata (não confundir com PSDB), e está interessado principalmente na elevação do nível do debate político, no desenvolvimento do Brasil e na correção das injustiças sociais. Plataforma comum aos 4 candidatos, aliás.

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Hecatombe na internet brasileira

Eu já fechei uns três blogs. Mas como este blog é prova, fechei só porque queria blogar em um portal melhor, com uma ferramenta de edição melhor.

De modo que não entendo como um sujeito pode desistir de blogar.

Ainda mais se for o melhor blog que existe.

Sim. Primeiro foi o Pedro Doria, depois o Idelber Avelar. Ambos deixaram manca a blogosfera brasileira em 2009. O Pedro Doria até que voltou em 2010, mas parece que não vai ter a mesma graça.

Agora foi a vez do Hermenauta, parece que temporariamente e por um bom motivo, como explica o NPTO.

Me lembra aqueles adesivos, que andavam em carros nos anos 70, em resposta ao cretino “Brasil ame-o ou deixe-o” dos milicos:

“O último que sair apague a luz”.

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O Coritiba começou bem em 2010

A imagem que ilustra este texto é de Ariel Nahuelpan, subindo mais que a zaga para fazer o 4° gol da vitória de 5X2 contra o Engenheiro Beltrão, último domingo (tem mais fotos aqui). Depois do excelente cruzamento de um estreante - o lateral direito Fabinho, que acabou de subir das categorias de base para o profissional.

Ainda é cedo para tirar conclusões sobre o que o time pode fazer no ano, afinal foram só 3 rodadas do estadual - onde só estão jogando times muito fracos.

Sim, porque os times tradicionais do interior faz muito tempo que estão à míngua. Os únicos que tem história, tradição e torcida - coisas essenciais em futebol para quem não sabe, são o Londrina, o Grêmio Maringá, o Operário de Ponta Grossa e o Rio Branco de Paranaguá. Estes vão de mal a pior, já tiveram diagnóstico de morte cerebral.

Os times que vem se destacando recentemente (Paranavaí, Cianorte, Toledo, Corinthians-PR) são times de empresários. Podem ir bem ou não, depende da ocasião e do interesse financeiro de seus donos.

O Paraná não dá mostras de que terá força para voltar à 1ª divisão, e o Atlético teve como único mérito recente o de classificar-se melhor que o Coritiba em 2009. O que, convenhamos, não quer dizer muita coisa.

Mas 2009 foi um ano trágico para o Coritiba, todos sabemos. E o que temos de diferente agora?

Primeiro: começamos a temporada com um técnico que dá continuidade ao trabalho já começado. Ano passado só fomos acertar o técnico quando já estávamos com o pé na cova, já no segundo semestre.

Segundo: estamos fazendo o mesmo que em 2007, quando parecia que estávamos nos reerguendo definitivamente - promovendo bons jogadores da base, que serão o futuro futebolístico e financeiro do clube.

De qualquer modo, o que temos, depois dos expurgos de fim-de-ano ainda é um time. Situação muito diferente da que passamos em 2006, logo após a queda de divisão nacional. Os dois Paraíbas eram bons jogadores, mas muito mercenários. Jogam bem ou não conforme interesses futuros na carreira, o que não serve para um time na condição de penúria do Coritiba. Precisamos de jogadores dispostos a fazer do futuro do clube o seu futuro.

Foi o que fizeram os jogadores que tinham mais identidade com o clube, como Keirrison, Rodrigo Mancha, Hanrique, Marlos (esse nem tanto) ou Pedro Ken. Sempre se esforçaram (menos o Keirrison, que tinha dia que não punha o pézinho na bola) e deram o melhor pelo time. Cresceram junto com ele e saíram quando o time não oferecia mais perspectivas para eles continuarem crescendo.

Para segurar bons jogadores precisamos disputar títulos nacionais e jogar torneios internacionais.

De qualquer modo, mesmo que o estadual seja muito fraco, não me lembro quando foi a última vez que começamos com uma seqüência de três vitórias. Isso é muito importante por que este ano vale de novo a regra do “supermando”. Ou seja, quem terminar na frente após as 13 rodadas da primeira fase, joga toda a segunda fase, decisiva (7 jogos), em casa.

Vamos enfrentar os principais rivais na 9ª (Paraná em casa) e na 11ª (Atlético fora) rodadas. Por enquanto temos 3 pontos a mais que o Paraná e 5 a mais que o Atlético. É só segurar a peteca.

E assim já vamos entrando como favoritos para o torneio de acesso (2ª divisão) do brasileirão.

Ou não, porque temos muita gente (treinador e jogadores) com contrato vencendo no meio do ano. Por isso a vitória no estadual é muito importante. Precisamos renovar com o Ney Franco, com o Ariel, e com outras figuras importantes, além de trazer mais atacantes para reforçar o elenco.

Para finalizar, um video que ilustra o tipo de atitude que a torcida vai precisar manter este ano:

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Orquestra à base de sopro e Gabriele Mirabassi

Foi ontem à noite o concerto, como parte da programação da Oficina de Música de Curitiba. Até agora ainda estou embasbacado.

Sim.

Porque foi coisa impressionante.

Mirabassi é um clarinetista italiano, que na falta de explicação melhor pode ser definido como “clarinetista de jazz”. Vem namorando com o Brasil há tempos, tendo feito shows com Guinga e com André Mehmari. Aliás, com ele lançou um disco pela Biscoito Fino, no qual está incluída a música que anexei em vídeo aí no final deste texto.

O casamento com a Orquestra à Base de Sopro não podia ter sido melhor. Segundo o próprio Mirabassi, foram poucas vezes na sua vida de músico em que um mais um foi igual a dois.

Aliás, tenho vergonha de dizer isso, foi a primeira vez que vi a Orquestra. Não bem primeira vez. Vi muitas vezes a antiga Orquestra do Conservatório de MPB. Que acabou sendo modificada, derivando nas duas hoje existentes - à base de corda e à base de sopro. Mas agora é outra coisa.

Aquele grupo que o Roberto Gnattali começou anos atrás era ainda um grupo experimental, no sentido de que era uma escola de músicos, vinculada ao projeto maior que era o Conservatório de MPB. A atual Orquestra à base de sopro já colheu os frutos daquele trabalho. Está hoje na direção o Sérgio Albach, que foi pupilo do Gnattali, e está no Conservatório desde sua fundação.

Só que a Orquestra à base de sopro é um grupo muito maduro, apesar dos músicos serem todos jovens. Dizer que é profissional seria pouco. Porque acho que ainda ensaia poucos dias por semana, e os músios ganham não um salário, mas uma “bolsa” que não permite ter na orquestra nem a única nem a principal atividade profissional. Quem sabe o patrocínio do Banco do Brasil para a temporada de concertos 2010 não ajude a melhorar um pouco a situação?

Mas a Orquestra é também muito mais que profissional. É um dos principais grupos musicais em atividade no país, pela qualidade da sua produção. Nos anos recentes trabalhou com os melhores músicos do país, que vieram a Curitiba para projetos com a Orquestra, regendo e trazendo arranjos produzidos especialmente para o grupo. Como Victor Santos, André Mehmari ou Arrigo Barnabé. Também merece destaque a gravação que a Orquestra fez com músicas de Waltel Branco, um dos maiores músicos brasileiros, injustamente pouco conhecido.

Mas ao ver a apresentação de ontem tive uma impressão muito diferente da que eu esperava. Imaginava que eu ia encontrar um bom grupo, que daria o apoio musical para uma estrela internacional que seria o solista. Mas não foi nada disso.

O que vi foi um grupo exorbitante. Que toca arranjos complicadíssimos com total sincronia. Que afina com perfeição e tem uma pegada rítmica difícil de ver num conjunto de 16 músicos. Qualquer coisa que eu escreva aqui vai ser pouco: só vendo ao vivo para você saber do que estou falando.

O concerto começou com Segura o Sérgio de Waltel Branco, arranjo de Gabriel Schwartz. Como o Waltel chegou atrasado, a música foi repetida no bis. Para que o compositor presente pudesse ouvir sua música, mas também porque era mesmo uma das melhores da noite.

Talvez só não fosse melhor que Arrivederci e grazie de Mirabassi, com arranjo de Davi Sartori. Você pode achar que exagero, mas eu diria que não se pode morrer sem ouvir essa música, nesse arranjo e com esse conjunto. Tudo que uma “big-band” pode almejar fazer, em termos de harmonia, expressão instrumental e força rítmica estava condensado nesta música, que foi a terceira da noite.

Tivemos ainda duas das melhores músicas jamais compostas: Choro pro Zé, de Guinga com arranjo de Gabriel Schwarz e Valsa brasileira, de Chico Buarque e Edu Lobo com arranjo de Davi Sartori. Mesmo sendo  obras de finíssimo acabamento harmônico e melódico, eu diria que na versão da Orquestra estiveram melhor que nas originais (inclusive dispensando as belíssimas letras - invertendo a máxima de Luiz Tatit de que toda a música brasileira, mesmo a instrumental é canção, ainda que à espera de letra).

Também ouvimos Temperança de Lea Freire (arranjo da autora), Par constante de Guinga (arranjo camerístico de Luis Otávio Almeida), A ginga do mané de Jacob do Bandolim (em versão para quinteto de clarinetes, arranjo de Proveta para o “Sujeito a guincho“), Struzzi cadenti de Mirabassi (arranjo de Gabriel Schwartz) e fechado o programa com Brilha o carnaval - um vivíssimo frevo de André Mehmari em arranjo do autor para o grupo.

Não falei de Chegou do Mirabassi em arranjo do Sérgio Albach. Acho que o compositor pretendia que fosse um choro. Pela forma musical não é (aquela coisa que todo chorão conhece de duas ou três partes, repetições de frases melódicas de quatro compassos, etc.). Mas pelas inflexões melódicas sim. Nesta música aconteceu uma coisa especial: teve um dos fabulosos solos do Mirabassi. E ao mesmo tempo, o Graciliano Zambonin, que “moeu” com sua bateria a noite toda sem que a gente percebesse muito seu talento, fez um solo na bateria. É isso. Eu disse ao mesmo tempo. Nunca vi um baterista fazer isso - solar ao mesmo tempo que o instrumento melódico. Normalmente vemos um músico solando de cada vez, enquanto os outros seguram a base. Graciliano fazia a base ao mesmo tempo em que desfilava todas as possibilidades tímbricas de sua bateria exatamente nos acentos rítmicos que reforçavam o fraseado mirabolante do Mirabassi.

Bom.

Isso me fez pensar no luxo que é um grupo ter uma “cozinha” composta por Mário Conde (violão e guitarra), Marcelo Pereira (contrabaixo), Davi Sartori (piano), Graciliano Zambonin (bateria) e Iê dos Santos (percussão).

O que só aumentou a responsabilidade do naipe de sopros: Sebastião Interlandi e Maiara Moraes (flautas), Jacson Vieira e Jairo Wilkens (clarinetes), Gabriel Schwartz, Victor Gabriel Castro e Sérgio Freire (saxofones), Ozeias Veiga e Douglas Chiullo (trompetes), Alexandre Santos e Osmário Estevam (trombones).

A direção musical, com direito a regência simultânea à execução do clarone, está a cargo de Sérgio Albach. Gabriel Schwartz, além de compor o naipe dos saxofones é assistente de direção, arranjador, e alterna entre sax tenor, alto, sopranino, flauta e clarinete (às vezes na mesma música).

Quando digo que Victor Gabriel participou nos saxofones estou mentindo. Ele estava na platéia, com o braço quebrado. Acidente que quase pôs a perder o concerto. Não fosse o Sérgio ter encontrado entre os alunos da Oficina o Abner, de Manaus (porque você não falou o nome completo desse herói, Sérgio?). Que foi capaz da improvável façanha de entrar no grupo para tocar partes importantes de todo esse repertório, sincronizar tudo perfeitamente com apenas um ensaio, sem contar que precisou ser capaz de revezar entre sax alto, clarinete e flauta.

Foi mesmo uma noite mágica.

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Brasil - formação de quadros e política externa

O Brasil vem se propondo, no governo Lula, a ter uma política externa mais pró-ativa, assumindo um papel de liderança para o qual tem vocação por seu tamanho, sua economia e sua cultura.

Tem como vantagem o fato de ser um povo simpático. Brasileiro é bem visto e bem recebido pelo mundo afora, exceto naqueles países esnobes que nos olham de cima para baixo - caso da Europa Ocidental, EUA, Canadá e Japão. Talvez por isso, comungamos com o resto do mundo a posição de país humilhado pelos poderosos, o que só aumenta nossa empatia.

Então estamos lá. Ativos no BRIC, no G-20. Melhorando nossas exportações e os investimentos externos de nossas empresas com atividades na América do Sul, África e Oriente Médio.

Acontece que exercer liderança internacional é uma coisa para a qual se precisa de quadros.

Queremos fazer a ponte de ligação entre o Irã e o Ocidente? Ótimo. Cadê nossos tradutores de parsi? Cadê os departamentos de estudos iranianos nas universidades? Quais empresas brasileiras tem negócios lá? Porque não temos uma comunidade iraniana aqui?

Como demonstra o Alencastro, essa política externa mais autônoma não é novidade no Brasil, já vem de tempos atrás. Também é ele quem demonstra o absurdo de que simplesmente não estamos preparando ninguém para lidar com a China. Cadê os nossos negociadores falantes de mandarim? Cadê os departamentos de estudos chineses nas universidades? Considerando que a China é a potência do século XXI, estamos largando muito atrasados.

Bem, mas pelo menos em relação ao Haiti descubro coisas interessantes.

O Brasil exerce um papel primordial de apoio ao país caribenho, depois de todo o estrago causado pelos EUA e seus interesses na região. (E tem gente que ainda não sabe porque Cuba tem que ser como é - poderia ser um Haiti, talvez.)

E, tem sim, sua equipe de pesquisadores estudando o país. Descubro este blog por uma dica da Viviane Burger no Facebook: Pesquisadores da UNICAMP no Haiti, desde já o melhor ponto de contato com o país para nós brasileiros.

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