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Datafolha no Rio Grande do Sul: Tarso Genro ganhando no primeiro turno

Foi divulgada estes dias a pesquisa Datafolha cujas entrevistas foram realizadas em 23 e 24 de agosto. O relatório completo está aqui. Olhando sempre a pesquisa espontânea, por ser a que mostra o eleitor mais consolidado (aquele que indica seu candidato sem olhar a lista apresentada pelos pesquisadores), pode-se perceber que Tarso Genro (PT), está consolidando sua liderança nas pesquisas.

O gráfico acima foi feito computando apenas os votos válidos declarados na pesquisa espontânea. A tabela com os cálculos está aqui – confira.

Como se pode ver neste gráfico, Tarso Genro esteve sempre perto de ganhar no primeiro turno. Tinha 48% dos votos válidos na pesquisa de julho, o que está dentro da margem de erro para vitória no primeiro turno. Mas a trajetória é ascendente, talvez pela onda Lula/Dilma (veja uma ilustração dos porquês aqui), talvez porque Tarso Genro é o único candidato consistente, enfrenta uma governadora extremamente mal avaliada e um candidato que sempre foi aliado dela, mas que prefere não se posicionar sobre nada.

Agora, com 47% dos eleitores declarando espontaneamente um voto válido na pesquisa Datafolha, Tarso tem 53% – o que significa vitória no primeiro turno.

Para o Senado o Datafolha prefere não divulgar pesquisa espontânea, o que significa que não temos dados confiáveis. Contudo, se você tiver curiosidade de olhar o relatório da pesquisa, ou a tabela que linkei acima, verá Ana Amélia (PP) em primeiro, ultrapassando o ex-grovernador Rigotto (PMDB). Ambos em trajetórias contrárias. E talvez alguma possibilidade de Paulo Paim (PT) em terceiro, assumir a segunda vaga, conseguindo a merecida reeleição.

Entre todos os quadros do PT no Brasil, não tenho muita dúvida que Tarso Genro é um dos principais. Até por isso, teve sempre uma posição secundária na direção nacional da sigla, escanteado pela tropa paulista que domina a legenda.

Vitórias dele no Rio Grande do Sul, e de Jaques Wagner na Bahia são vistas por este blog como alvíssaras: para a política brasileira e para o PT. Ficamos na torcida também por Mercadante em São Paulo, e assistindo da janela o naufrágio de candidaturas retrógradas que o diretório nacional do PT decidiu entrochar goela abaixo das instâncias do partido no Paraná e em Minas Gerais.

Datafolha em Minas: Anastasia lidera

No dia 4 de junho deste ano eu escrevi um texto para o Amálgama, comentando que Dilma já estava na frente em todas as pesquisas, que não era o caso de o PT vender a alma ao diabo, ops, ao PMDB, em troca de uns minutos de TV. É claro que eu estava sendo esperançoso demais. Poucos dias depois saía o anúncio de que o PT abria mão da candidatura própria em Minas Gerais, para apoiar Hélio Costa (PMDB).

Ora, o candidato do PT podia ser Fernando Pimentel ou Patrus Ananias. Qualquer um deles, com apoio de Dilma e Lula, e histórico de gestões aprovadas na prefeitura de BH seriam candidatos fortíssimos. Por outro lado, Hélio Costa tem a tradição de ser sempre o candidato que começa na frente nas pesquisas – mas ele nunca vence uma eleição para governador, porque representa a velha política. Contra quem quer que seja, a menos que ressuscitem o Aureliano Chaves ou o Newton Cardoso, em Minas o Hélio Costa é a velha política.

Em 1990 perdeu o segundo turno para Hélio Garcia. Em 1994 (à época candidato por um PP que nem existe mais por que juntou-se com o PPR para formar o PPB e depois voltou a se chamar PP) teve 48% dos votos válidos no primeiro turno, para perder para Eduardo Azeredo (PSDB) no segundo. Em 1998 preferiu sair para deputado federal. Em 2002 conseguiu tirar da cartola 2% dos votos a mais que Tilden Santiago (PT) e se eleger senador.

O PMDB pôs na conta da aliança e do apoio a Dilma o apoio a Hélio Costa em Minas. Diziam que ele estava na frente nas pesquisas. Deve ser verdade. Acontece que todo mundo sabia que ele só tinha como cair quando começasse a campanha, ao contrário dos candidatos que o PT podia apresentar.

Pois bem. É o que acontece no Datafolha:

Este gráfico aí é feito com base na pesquisa divulgada no dia 3 de setembro (relatório da pesquisa aqui). Os dados e fórmulas estão nesta planilha – confira. São os votos válidos – e como só há dois candidatos competitivos, quando um sobe o outro cai. A eleição terá apenas um turno. A tendência é clara, e não vai ser revertida.

Outra coisa curiosa, é que o relatório do Datafolha demonstra que em Minas o apoio de Lula conta tanto quanto o apoio de Aécio. Cerca de 30% do eleitorado, mais uns 25% que podem votar, dependendo do candidato. O que imagino que não inclui o Hélio Costa, no caso de quem estava acostumado a votar no PT.

No caso da eleição para o Senado, o Datafolha dá o golpe de não divulgar pesquisa espontânea – só estimulada. Nesta pesquisa, que o eleitor escolhe candidatos apresentados em uma lista, aparecem em vantagem os nomes de maior recall. Somente a espontânea (em que o entrevistado indica o nome de memória) mostra o eleitor consolidado.

Na pesquisa para governador, apenas 38% dos entrevistados indicam voto válido de maneira espontânea. Na pesquisa para senador, são 152% (numa soma em que o total pode chegar a 200% porque são dois votos para o Senado) que indicam olhando em uma lista. Em todo o país, a eleição para o Senado está menos definida que a de governador. Em Minas isso pode ser um pouco diferente dado o peso político dos candidatos ao senado (Aécio Neves, Itamar Franco, Fernando Pimentel). Mas a estimulada engana.

Mesmo assim, o gráfico é o seguinte:

Tudo indefinido, numa trajetória ligeiramente ascendente para Pimentel (PT), estacionada para Itamar (PPS) e descendente para Aécio (PSDB). A eleição vai ser definida no último dia, mas eu apostaria em Aécio e Pimentel, pois não vejo o candidato de Lula/Dilma de fora, nem o último governador, que é tão bem avaliado.

Intenção de voto para governador e senador da Bahia em agosto e setembro: tendências nas pesquisas

Nas eleições bahianas existe uma unanimidade captada por todos os institutos de pesquisa: Jaques Wagner será reeleito governador do estado em primeiro turno. Não existe ameaça a sua liderança no horizonte. Ele tem entre 65% e 70% das intenções de voto válidas na pesquisa espontânea, conforme o instituto.

Os três institutos que divulgaram pesquisas para governador da Bahia são o Datafolha (relatório aqui), o IBOPE (relatórios das pesquisas de 5 agosto e de 30 de agosto) e o Vox Populi (relatórios de pesquisa de 20 de agosto e de 3 de setembro). Os gráficos incluídos abaixo foram feitos computando as intenções de voto válidas nas pesquisas espontâneas, quando estavam disponíveis nos referidos relatórios. Os dados e fórmulas estão nesta tabela, para você conferir.

Governador – Datafolha – espontânea

Governador – IBOPE – espontânea

Governador – Vox Populi – espontânea

Não há grande diferença entre os números dos três institutos. Jaques Wagner (PT) lidera com folga e vence no primeiro turno. IBOPE e Vox Populi apontam para uma trajetória em que Gedel Vieira Lima (PMDB) deve ultrapassar Paulo Souto (DEM), ao contrário do que indica o Datafolha.

Mais indefinida está a eleição para o Senado. A coligação de Lula e Dilma tem 3 candidatos, e parece não haver muita dúvida de que as duas vagas ficarão dentro da coligação. César Borges (PR), senador que tenta a reeleição, é um antigo membro do carlismo, que aderiu à era Lula sem crise de consciência. Os outros dois candidatos da coligação tem DNA de esquerda: Lídice da Mata (PSB), já foi do PSDB e já foi prefeita de Salvador. Walter Pinheiro (PT) é uma das principais lideranças petistas no estado, e foi ao segundo turno da última eleição para prefeito da capital.

Na eleição para o Senado ainda são muito poucos eleitores que indicam voto válido na espontânea (48% no IBOPE e 39% no Vox Populi, numa conta que deve somar 200% porque são dois votos de cada eleitor). O Datafolha não divulgou pesquisa espontânea para o Senado, e a estimulada tende a favorecer César Borges, o candidato de maior recall.

Ainda é cedo para saber que tendência irá se consolidar, e as diferenças entre os institutos são gritantes. Quase que os votos computados ainda estão todos na margem de erro, e a eleição para o Senado vai se decidir no último dia.

Senador – IBOPE – espontânea

Senador – Vox Populi – espontânea

Senador – Datafolha – estimulada

Um convite à política

Está lá, no meu novo editorial para o Portal d’O Pensador Selvagem.

Basicamente, uma diatribe contra a falta de discussão política numa eleição em que o lulismo fará barba, cabelo e bigode. E a oposição corre o risco de ser varrida do mapa. Porque a discussão política já foi faz tempo.

Agora é hora de reconstruir os partidos políticos que deverão fazer oposição, tarefa bem inglória na medida em que o lulismo aprendeu as modalidades de atuação dos políticos tradicionais, alijou-os dos centros de decisão e ocupou seus espaços tradicionais.

Agora a direita vai precisar dar um jeito de ter um partido político que funcione minimamente como tal, articulado com alguma coisa que se pareça com uma base social (sindicatos patronais? entidades de classe? sei lá!). Não adianta mais terceirizar a função para as empresas de mídia.

Uma reestruturação de sua política, junto com outras questões interligadas a isso – eis o grande desafio do Brasil no próximo governo.

Mais lidos em agosto

Em mês de campanha eleitoral, o blog bateu todos os recordes de visitas, auditadas pelo Google Analytics e pelo Sitemeter. Principalmente por causa das análises sobre as pesquisas de intenção de voto, cujos leitores me chegam quase sempre pelo motor de buscas do Google.

Veja todos os textos sobre pesquisas aqui.

Estes textos representam 6 entre os 10 mais lidos do mês.

Outros textos que foram muito lidos por aqui:

5° – A entrevista de José Serra no Jornal Nacional (11 de agosto)

7° – O debate entre os candidatos a governador do Paraná na TV Band

8° – Palpites infalíveis e previsões para o Brasileirão 2010

10° – Os melhores times do Campeonato Brasileiro da era dos pontos corridos (2003-2009)

12° – O debate dos presidenciáveis na Band

13° – A entrevista de Dilma Roussef no Jornal Nacional (9 de agosto)

14° – Afinal, quem ganhou o debate?

15° – O debate dos candidatos a Senador pelo Paraná (TV Band, 26 de agosto)

Como não podia deixar de ser, em momento nacional tão decisivo, o assunto foi política, política e política – com um pouquinho de futebol, que niguém é de ferro.

Além dos textos aqui no blog, também andei escrevendo comentários de política no Amálgama, dois dos quais ficaram entre os textos mais lidos do mês lá. Muito orgulho, porque o time do Amálgama só tem fera…

Veja também os textos mais lidos em julho.

André Mehmari e Marília Vargas: Lamento e Divertimento

Foi agora há pouco.

Eu não consegui assistir tudo, porque fui com as crianças. A professora de coral tinha meio que dado como tarefa para eles assistirem – ela que não sabe como os meus são espoletas. Quando descobri que o concerto estava sendo gravado (acho que para um disco), e que cada barulhinho que estávamos fazendo pode ter inviabilizado o take do dia (o concerto teve dois dias, hoje e ontem), resolvi ir embora.

De qualquer forma, eu já tinha ouvido o suficiente para escrever um comentário aqui no blog.

Marília Vargas, é uma cantora muito versátil. Começou a estudar música em Curitiba, e daqui ganhou mundo. Viveu muito tempo na Suíça, de onde tem o diploma de canto barroco da Schola Catorum de Basel (Basiléia). A dolçura e leveza de sua voz, aliados à precisão de sua técnica, fazem dela uma cantora excelente para a música de câmera. E ela sabe transitar da música antiga européia às coisas brasileiras de sabor pré-clássico. Sabor que tem longas permanências na nossa cultura, como demonstra o programa da noite.

A música foi de Monteverdi, Merula e Caccini (os mestres do primeiro barroco italiano) ao folclore brasileiro e às canções de Villa-Lobos, Jayme Ovalle e Tom Jobim/Vinícius de Morais. Algumas coisas acompanhadas ao cravo, outras ao piano.

O pianista/cravista foi André Mehmari.

Qualquer coisa que eu diga aqui sobre ele como músico vai ser pouco, muito pouco.

Só posso contar que ele tocou os barrocos no cravo como um exímio executante do baixo contínuo. Parecia um especialista na linguagem – mas ele não é. Ou talvez seja isso, mas não apenas.

Porque ele é um pianista de jazz, um improvisador de mão cheia, um harmonizador de primeira, um arranjador da melhor categoria, um cara com todo o balanço que exige a MPB da linhagem do samba, entre outras coisas. Além de compositor.

Como compositor ele não iria aparecer hoje.

Mas mas o que ele fez com a parte do piano para a Viola quebrada do Villa-Lobos era muito mais do que um arranjo. Sua versão para piano foi uma nova composição, onde Mehmari demonstrou profundo conhecimento da obra do Villa, citando diversas coisas, inclusive o Preludio 3 para violão.

Cálix Bento (folclore mineiro), ao cravo, mostrou a ligação dos interiores deste Brasil com a música pré-clássica. E também a feitura de Ciaconas e Fantasias, que naquele tempo os instrumentistas compunham sobre canções conhecidas, procedimento que Mehmari transliterou para o século XXI.

São João Dararão, Casinha pequenina e Engenho novo (mais peças do folclore) viraram peças instrumentais sofisticadíssimas com um impulso rítmico que minha filha de 6 anos não resistiu em sair dançando pelo corredor.

Beatriz de Edu Lobo e Chico Buarque, em versão para piano solo de Mehmari, foi tão desbundante que foi a única coisa do mundo capaz de fazer minhas crianças se calarem por alguns minutos. Não há nenhum exagero dizer que essa música nunca foi tão bem vestida como no arranjo de Mehmari, e olhe que a versão original já era um clássico que parecia impossível de melhorar.

Bom, não vi muito mais, mas foi o suficiente.

Se quiser ouvir uma pontinha do que é a música desse que já está entre os grandes da música nacional, ouça as coisas no MySpace do Mehmari. Ou veja os vídeos com ele no Youtube.

Outros textos relacionados aqui neste blog:

Márcio Steuernagel/Filarmônica UFPR: Villa-Lobos, Harry Crowl e Leopoldo Miguez

Orquestra à base de sopro e Gabriele Mirabassi

Todas as críticas de concerto deste blog aqui.

IBOPE: intenção de voto em São Paulo, para governador e senador, em agosto

Este gráfico aí em cima é feito com os votos válidos da pesquisa espontânea divulgada pelo IBOPE. Os relatórios estão disponíveis aqui: 29 de julho e 30 de agosto. O gráfico foi feito por mim, com dados que estão nesta planilha – confira.

Como demonstra o gráfico, na posição relativa Geraldo Alckmin está em queda livre. Já teve 62% das indicações espontâneas válidas (em 29 de julho), agora está com menos de 53% (em 30 de agosto).

Esta trajetória traça claramente um prognóstico: em São Paulo vai haver segundo turno entre Alckmin (PSDB) e Mercadante (PT). Este fenômeno pode ser em parte explicado pela transferência de votos de Lula e Dilma. A tendência é que os eleitores de Dilma e os que são influenciados pelo apoio de Lula migrem seu voto para Mercadante. Porque Dilma praticamente já definiu uma vitória em primeiro turno (veja esta pesquisa), inclusive em São Paulo.

Mas nem tudo se explica por esta transferência: a candidatura de Mercadante é mesmo consistente, e ele já dava sinais de que poderia crescer. Também foi muito bem no debate entre os candidatos a governador.

Ao mesmo tempo, a onda lulista atinge a campanha para o senado em São Paulo.

Na última pesquisa IBOPE, estão na frente na pesquisa espontânea os dois candidatos que fazem parte da coligação apoiada por Lula.

O resultado da pesquisa aponta para a eleição de Marta Suplicy (PT) e Netinho (PCdoB). Mas sabemos que a campanha ainda está no início. Se para governador apenas 55% dos entrevistados indicaram voto espontâneo válido, para senador foram apenas 64%, numa conta que deveria somar 200% por causa dos dois votos.

O nível de interesse e conhecimento do eleitor é sempre primeiro a eleição presidencial, depois a de governador, depois a de senador e por último a de deputado. A definição do voto vai sendo mais tardia e a quantidade de votos válidos vai diminuindo conforme o cargo.

Por isso é muito importante observar as trajetórias. Percebe-se uma tendência muito forte do voto pela renovação política do senado. Quércia (PMDB) e Romeu Tuma (PTB) são os legítimos representantes da velha política, construíram suas carreiras a muito tempo, e simbolizam o retrocesso.

Aloisio Nunes Ferreira (PSDB) é um bom quadro, e tende a crescer com a identificação como candidato da coligação de Alckmin. Marta Suplicy é a mais forte, mas está em trajetória descendente na posição relativa. Netinho, o pagodeiro do PCdoB está em trajetória ascendente, certamente pelo fator da identificação com a coligação em torno de Lula e Dilma. Se conseguirá sustentar essa trajetória ainda é cedo para saber.

Veja também as análises da pesquisa IBOPE no Paraná. Neste estado a tendência para governador está mais indefinida, mas para o senado também parece que serão dois candidatos lulistas vitoriosos.

Gmail oferece ferramenta para selecionar mensagens mais importantes

Tava mais que na hora disso acontecer.

Já faz um tempo que não uso mais o gmail on-line porque se tornou uma bagunça impossível de organizar. Como você pode ver nesta imagem comparando minha caixa do Gmail com a do Thunderbird. No Thunderbird eu cadastrei filtros que separam as mensagens em pastas, por assunto ou remetente. No gmail, fica tudo na mesma pasta: mensagens pessoais e avisos de serviços on-line e redes sociais. Tava mesmo impossível.

Vamos ver se a nova ferramenta me faz voltar para o gmail. De qualquer modo fica aqui a dica do thunderbird.

Veja o vídeo de divulgação da nova ferramenta do google:

IBOPE: intenção de voto no Paraná, para governador e senador, em agosto

No Paraná ainda são menos da metade dos eleitores que declaram voto espontâneo na pesquisa IBOPE. Depois de definidas as candidaturas (é talvez o estado onde a definição foi mais tardia e os arranjos políticos mais confusos) e iniciada a propaganda eleitoral na TV, ainda são muitos eleitores indecisos, e as curvas das pesquisas não estão muito definidas.

O gráfico acima é feito com base nos votos válidos da pesquisa espontânea para governador, do IBOPE. Os relatórios do instituto estão aqui (pesquisa de 4 de agosto e pesquisa de 27 de agosto). Os gráficos foram feitos por mim, e a demonstração completa está nesta tabela.

A intenção de voto espontânea é aquela que mostra o eleitor consolidado, que sabe indicar seu candidato sem olhar em lista. Pode-se ver que ainda há muito espaço para a campanha. O eleitor já está muito mais decidido em relação à eleição para presidente. Para governador, a decisão é sempre mais tardia. Por enquanto apenas 47% do eleitorado pesquisado pelo IBOPE indica candidato válido de maneira espontânea.

Os movimentos do eleitorado são muito diferenciados, conforme o segmento. Nos eleitores da capital Beto Richa amplia a vantagem:

Mas na Região Metropolitana e no Interior o movimento é na direção contrária:

O eleitorado do interior representa 67% do total da amostra do IBOPE, e neste segmento do eleitorado ainda existem 60% dos eleitores que não declaram voto espontâneo.  De modo que a liderança de Beto Richa ainda é muito folgada, mas pode haver mudanças até o dia da eleição.

Outro segmento que apresenta uma diferença muito significativa é o eleitorado por gênero. Osmar Dias diminui a diferença no eleitorado masculino, mas não no feminino.

Como o número de indecisos é muito maior entre as mulheres, isso favorece Beto Richa. Entre os homens são 56% que já declaram voto espontâneo – entre as mulheres o número é de apenas 39%. Sobre a diferença entre o eleitorado masculino e feminino, veja mais explicações no texto que escrevi para o Amálgama (O protagonismo feminino e as eleições de 2010).

Na segmentação por idade também há diferenças muito claras. Beto Richa se sai melhor entre o eleitorado mais jovem. Na faixa entre 25 e 29 anos ele ampliou muito a vantagem. Mas na faixa entre 30 e 39 a curva é favorável a Osmar Dias.

Por escolaridade também existe um recorte claro: o eleitor menos escolarizado se movimenta em direção favorável a Osmar Dias, enquanto o mais escolarizado está na direção de Beto Richa.

Isso mostra que o eleitorado paranaense vai no mesmo rumo do eleitorado nacional, com Osmar Dias apresentando tendência favorável no eleitorado que é mais favorável a coligação em torno de Lula e Dilma: o eleitor do interior, o eleitor mais pobre, o eleitor menos escolarizado e o eleitor masculino. Confira as tendências da eleição nacional nas análises que fiz da pesquisa Datafolha do fim de agosto.

Beto Richa, por sua vez, se dá melhor entre o eleitorado favorável a Serra (mais escolarizado, de maior renda e da capital) com uma importante diferença – é muito mais forte entre o eleitorado mais jovem.

Existe um fator bastante interessante na eleição estadual do Paraná, que é o fato de Beto Richa ser uma liderança muito forte após uma vitória acachapante nas eleições para prefeito de Curitiba em 2008. Osmar Dias é mais associado politicamente ao agronegócio, e representa uma ligação mais forte com o passado político. Mesmo o forte apoio de Lula à campanha do pedetista parece ter poucas chances de reverter o quadro no Paraná, apesar de ainda ser cedo para dizer se o movimento em direção a Osmar Dias pode ganhar mais consistência ou não. Aqui no estado, como em Minas Gerais, vai ter muito eleitor de Dilma votando do candidato do PSDB ao governo.

A eleição para o Senado segue amplamente favorável aos dois candidatos do campo lulista, e Beto Richa ainda não consegue transferir sua ampla vantagem aos companheiros de chapa. Isso tudo demonstra muito bem como o eleitorado vota com sua lógica própria, sem se importar tanto com apoios e conchavos feitos pelos políticos.

Para minha infelicidade, o gráfico aponta para um crescimento de Requião, uma diminuição relativa (e pequena) de Gleisi, e um aumento significativo de Gustavo Fruet. Ricardo Barros, ainda bem, está estagnado. A eleição para o senado é a única na qual já tenho certeza do meu voto: Gliesi e Fruet, torcendo para Requião ser derrotado. Como expliquei no meu texto sobre o debate entre os candidatos a senador na TV Band.

Veja também meus comentários sobre o debate entre os candidatos a governador.

Coritiba no Couto Pereira – faltam 21 dias

Dia 18 de setembro o Coritiba volta ao Couto Pereira.

Após cumprir 10 jogos de punição no Campeonato Brasileiro, mandando os jogos na Arena Joinville.

Punição mais do que merecida, ainda amenizada em relação aos 20 jogos iniciais e não cumprida na Copa do Brasil. Tudo por causa da horrível cena provocada por uma torcida violenta e sem compromisso com o clube.

Depois de purgar seus pecados, o clube vai voltar à sua casa, numa hora mais do que crucial.

Após chegar ao topo da tabela no início de agosto, com um time bem montado e entrosado, jogando quase sem perder durante o ano, nas últimas rodadas a coisa degringolou total. Uma goleada de 5 a 1 no Ipatingão, para o time que está na zona de rebaixamento. Uma derrota “em casa” (na verdade em Joinville) para o fraco Duque de Caxias, por 2 a 0. Em duas rodadas o Coritiba sofreu metade das derrotas do campeonato e um terço dos gols sofridos (7 de 21).

O jogo contra a Portuguesa será fundamental para o Coritiba recuperar o rumo da vitória e da liderança da série B.